segunda-feira, 31 de outubro de 2011
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Vazio de Cécile.
Nalgum Lugar
nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto
teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa
ou se quiseres me ver fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade:cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira
(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva,tem mãos tão pequenas.
- E.E Cummingg
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
Carlota passava todas as amigas em revista, uma por uma, e encontrava em todas qualquer coisa a censurar; a nenhuma te-lo-ia cedido voluntàriamente.
Fazendo essas reflexões, pela primeira vez ela sentia profundamente, embora sem fixar-se de um modo preciso, que o secreto desejo do seu coração era guardá-lo para ela. Entretanto, estava convencida de que não podia guardá-lo, que isso lhe era proibido, e sua bela alma, tão pura, outrora tão livre de cuidados e tão pronta a superá-los, sentia-se acabrunhada por essa triste--a que se experimenta quando não se tem mais nenhuma perspectiva de felicidade. Seu coração comprimisse, uma sombria nuvem toldava seu olhar."
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
O Reencontro
Ela me observava, as rugas, os meus óculos enormes e o meu chapéu, ela sempre reparava no chapéu que eu usava e na gravata.
A primeira conversa que tivemos á uns 47 anos atrás, foi sobre a cor da minha gravata e da música que eu ouvia, e que ela ouvia quando ficava próxima á janela.
Éramos vizinhos, me mudei, nos encontramos e lá estava ela depois de tantos anos para me explicar.Ficou parada á um tempo na porta após o café, abria a boca e fechava, queria dizer algo mas suponho que ela estava tímida.
Até que sorriu e me disse;- Sabe, se você acreditar ou não, quanto á esta escuridão que você reclamou tanto, eu corri dela. Porque na verdade antes disso tudo nascer, antes de você ver essa miragem, antes disto te alcançar, já havia acontecido comigo, então por que acha que eu iria fazer isso com você? Óbvio! Jamais sustentaria um amor que não desse para responder, mesmo que tivesse a resposta mais sincera em meu coração, mesmo que fosse extremamente verdade todas suas miragens, acordaria um dia. E de repente tudo uma mentira!
Ah, querido! A realidade é mais forte que nossos sonhos, é mais forte, é a realidade e ponto final.
Espero que um dia compreenda, embora jamais terá respostas para tudo que lhe fez surgir pois algo naquilo tudo era verdadeiro. Ou é verdade, ou é mentira, não é mesmo?
Não posso inventar algo para sumir com tudo porque um pouco de tudo era verdade, porem querido... muita filosofia não explicaria mas como disse. Acontece que era. E se ERA nunca existiu - disse ela.
Fiquei olhando para ela admirando, depois de tantos anos cheia de certezas e incertezas, tantas rugas e manchas de velhice nas mãos, vestido que ainda assim lhe caía bem, cabelo branco e preso, batom vermelho e um chapéu e ela parada tentando ver se pela minha expressão eu entendia tudo do que ela dizia.
E voltou a dizer;
- Pensamos em como é ruim depois que você acorda depois que alguém acorda você. Até você acostumar que tudo foi um sonho uma miragem, dói e eu sei disso. E são esses os sonhos que eu lhe disse o que chamamos de amor e depois de ilusão, decepção e assim cada vez pior. Até que, em uma época você vai rir disso, eu também não entendo por que algumas coisas o destino nos permite, não entendo por que temos rir sozinhos de toda uma ilusão ou ficar extremamente sem saída quando tudo vem á cabeça.Pronto é só o que tenho a dizer.
- Sim? Disse.
- Vamos ainda tenho que comprar pedrinhas para o jardim, quero deixar tudo pronto para ver Margot no teatro. Oh! Desculpe-me! Eu vou, você fica e Adeus querido, Adeus... Digamos esta tudo explicado, certo?
Como já disse tenho que sair e ir para casa, foi um prazer revê-lo e ainda bem que antes de falecer deu tempo de te encontrar depois de tantos anos, nunca me esqueci de você nunca, me sentia mal por ter falado de mais e fazer nós sonharmos de mais.
Bom, adeus novamente.
Ela disse já abrindo a porta com medo que eu falasse alguma coisa que envolvesse mais aquele assunto.
Sentia que meu coração iria pular pela boca mesmo após de tantos anos aquela visita me fazia me sentir jovem, e ter todas aquelas expectativas não queria que ela me explicasse mais nada, só que ela ficasse mais alguns segundos, então com medo de ouvir mais um adeus, disse:
- Sim, mas não me diga Adeus ainda, venha me visitar novamente, tenho tanto pra falar, digo... quando fui pego pelos militares, quando te encontrei novamente tocando violão na beira da estrada vendendo artesanato, lembro de você com as crianças, tem tanta coisas para te falar, éramos amigos, sempre fomos, certos?
Falei tudo tão rápido que tive dificuldade de respirar.
Novamente ela sorriu e disse:
- Sim, voltarei, você me ficou devendo uma dança e um sorvete ao parque, lembra?
Assustado olhei para ela mas com admiração, ela também se lembrava daquele dia e do que
conversávamos.
Ela me disse antes de eu dizer algo:
- Calma querido, não precisa me levar á um parque de diversão não tenho mais 16 anos e sorriu.
Então sem dizer nada me levantei com muito esforço e liguei a vitrola que ainda velha funcionava, coloquei um disco, não tinha visto de quem era, ela me aguardava na porta me aproximei e com passos curtos e lentos ela veio caminhando até a mim.
Sorrimos e dançamos bem devagar de mãos dadas.
Então ele disse:
- Oh!Querido, Edith?Eu disse á ela:
- Sim.Ela me disse segurando ás lagrimas:
- Como esta música...
Disse á ela:
- Sim, triste e único para sempre.
Ela encostou sua cabeça em meu ombro e continuamos a dançar lentamente amavelmente depois de tantos anos.Sabia que eu nunca havia se esquecido dela mas não sabia que ela pensava o mesmo.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Quando enfim a vida terminar
